Porque
alguns casais se afastam ou passam por uma crise
após o nascimento de um filho?
O casal vivia bem e feliz, planejou a gravidez, sonhou e fez mil planos, está feliz com a chegada do bebê!
Mas, em muitos casos, nenhum
dos dois se dá conta de que, a partir do nascimento da criança, uma
verdadeira revolução se instala na rotina e nos hábitos do casal
que, se não for bem administrada, pode provocar uma crise no
casamento.
Quando o bebê nasce, todas as
atenções são voltadas para ele, um ser indefeso e que necessita de
muitos cuidados para sobreviver. Na medida em que os dias passam,
marido e mulher já não tem mais tempo nem disposição para passeios,
jantares, os momentos a sós do casal praticamente não existem
mais!
A mulher fica sensível,
irritada, cansada, afinal, não é fácil conhecer e aprender a lidar
com seu bebê, cultivando a paciência para suportar seu choro sem
saber o que fazer para acalmá-lo ou para ele dormir; ela também
precisa conciliar os cuidados do bebê com a toda a administração da
casa, acreditando que, devido ao fato dela permanecer o dia todo em
casa, será capaz de cuidar de tudo sozinha. Ledo
engano!!
O marido nem sempre consegue
perceber essas dificuldades de sua esposa, até porque não participa
da rotina diária por estar fora de casa trabalhando; fica enciumado
por perder a atenção exclusiva dela, tendo que dividi-la com o bebê
e, nessa fase o instinto materno sempre vai falar mais alto: a mãe
vai priorizar o filho em detrimento do pai, afinal, ela, mais do
que ninguém, precisa protegê-lo e cuidar dele para que ele cresça
forte e saudável e não vai medir esforços para que isso aconteça,
mesmo que tenha de deixar de dar a atenção devida ao marido! Até o
choro do bebê passa a se tornar insuportável para o pai, ele
irrita-se porque não consegue dormir, porque suas roupas já não
estão bem arrumadas ou mesmo porque a esposa não cozinha mais como
antes e reclama! A mulher, por sua vez, enxerga esta irritação dele
para com o bebê como uma cobrança, como se ela não cuidasse do bebê
da forma adequada, passando a vê-lo como uma pessoa egoísta que só
pensa em si mesmo, fazendo-se de vítima, chorando pelos cantos,
pensando que ele é uma pessoa insensível que não vê o quanto ela se
dedica para que tudo transcorra da melhor forma
possível.
A parte sexual do casal fica
prejudicada, pois a mulher tem que se abster do sexo por um
determinado período para que seu corpo se recupere e volte ao
normal depois da gravidez e do parto; seu desejo sexual diminui em
função do stress causado pela mudança de rotina, pela falta de sono
adequado, pelo acúmulo de tarefas, assim como pelo fato de sentir
dores nas relações sexuais, caso este período de abstinência não
seja respeitado; ela também sente-se insegura com o aspecto de seu
corpo, supondo já não ser mais tão atraente para o seu marido
quanto era antes da gravidez, sentindo vergonha de exibi-lo ao
marido, ocultando-o atrás de trajes largos, não usando mais as
lingeries sedutoras que ambos apreciavam. Por outro lado, o desejo
sexual do marido continua o mesmo de sempre, afinal ele não passou
por mudanças hormonais, nem tem toda esta sobrecarga que estressa a
sua mulher e não consegue entender porque a esposa já não tem o
mesmo desejo sexual.
O marido passar a ver a sua
esposa mais como a mãe de seu filho do que como sua mulher,
passando a chamá-la de "mãe" e não mais de "querida" ou "amor". A
mulher pode fazer o mesmo, vendo seu marido mais como o pai de seu
filho do que seu companheiro.
Fica claro que, diante de tudo
isso, os conflitos entre o casal podem se intensificar, gerando
brigas, discussões e mal entendidos porque ambos tem suas razões
para agirem da forma como agem e nem sempre conseguem enxergar ou
entender as razões do outro.
Ambos agora não são apenas um
casal, há mais um membro na família, o que os leva a cumprirem mais
um papel em conjunto: o de pais! O filho é de ambos, portanto,
ambos devem conciliar e dividir os cuidados com o bebê. Um pai que
acompanha o dia a dia e é solidário com a mãe, dividindo com ela
tarefas que possa ou saiba cumprir, entende melhor o cansaço de sua
esposa, torna-se cúmplice dela e saberá criar um clima de
romantismo e de intimidade, respeitando os limites de sua esposa
neste momento. Um beijo, um afago, ficar ao lado da esposa enquanto
ela embala o bebê para dormir faz com que ela se sinta amada. Ela,
por sua vez, passa a retribuir os carinhos recebidos, o que
propiciará um clima de namoro como antes do bebê nascer,
colaborando para uma maior intimidade entre o
casal.
É importante que haja muito
diálogo, compreensão e paciência para ambos entenderem um ao outro
e compreenderem que passam apenas por uma fase de rearranjos e de
experiências que, se bem administradas por ambos, servirão para uma
aproximação maior ainda do casal, através da harmonia e da
cumplicidade!
* Direitos Autorais deste texto: ©Dra Olga Inês Tessari





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