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Parto e Pré Parto.  escrito em terça 26 agosto 2008 14:37

Depois de nove meses de ansiosa espera, o grande dia chegou... Médicos trocados por problemas com atestados, acabei fazendo o parto com um médico que vi uma vez, a segunda foi na sala de cirurgia. Bem estranho, mas... “Você tinha que sair”, eu pensava... Queria e briguei até o fim pelo parto normal (sozinha, por que TODOS ERAM CONTRA, menos sua Tia Mi...) tanto que cheguei a esse médico (Dr. Ferriani, um diretor da maternidade em Ribeirão) por que liguei pro hospital (Maternidade onde nasceu) e uma das secretárias disse que ele era a favor do parto NORMAL. É... Cada médico segue uma linha de raciocínio e acreditam em algumas coisas, assim, principalmente na gravidez (onde ficamos beeeeem mais sensíveis e maleáveis “às vezes”) eles acabam nos convencendo a fazer o que eles acham que seria o certo (na opinião deles).

Liguei e expliquei a ele minha situação e ele pediu pra que fossemos até a maternidade depois do natal (ele estava de férias do seu consultório).

Dia 26 de Dezembro de 2007 chegamos e foi bem rápido até, bem mais rápido e frio que eu esperava. Ele disse que você estava muito “pra cima” (expressão usada por ele) e que seria muito difícil conseguir fazer o parto normal. Fiquei extremamente decepcionada, chateada, triste e morreeeeeeeeeeeeeeeeendo de medo; você ia nascer no outro dia às 07h00min da manhã. Recomendou o jejum de 12 horas para cesariana e que chegasse meia hora antes. Como se fossemos pra Disney, dar uma volta no parque, tomar um chope. Nãooooo, estamos falando do seu parto, uma cirurgia, não queria que ele falasse como se tivesse marcando um horário pra fazer a unha. Af,Af,Af...

Voltei pra Altinópolis, uns 40 minutos de carro por Batatais...

Imagina como foi a nossa noite???Parecia que você estava tentando me acalmar, quase não se mexeu (já era lindo e sensível... meu pequeno).

Estava escuro, a hora que saímos (Papai, Vó Tina, Madrinha e Matt – namorado da sua madrinha naquela época...”Ela ti explica melhor quando entender) da casa da sua vó pra Ribeirão. Foi a viagem mais rápida de toda minha vida.

Chegando lá estavam nos esperando, Vovô, Vovó, Tio César e Tia Mara. Foi rápido e nem deu tempo de conversar com eles e já nos chamaram pra subir, só deu tempo de falar com seu pai sobre ver o parto ou sua madrinha (seu pai estava com medo de desmaiar e preocupar os médicos, tirando o foco da cirurgia e os dois a equipe da maternidade não permitiu, pois disseram haver riscos de contaminação).

Subimos e ficamos em uma salinha com mais duas mães, uma com uma criança grande, devia ter uns 5 anos, faria uma cirurgia que não me lembro onde e a outra que estava de 37 semanas e tinha que ter porque estava com a pressão alta.

Eu estava com 40 semanas, pressão 10/11 por 6/7 variando a gravidez toda sempre pra baixo, diabetes nem de longe, as dores eram freqüentes, mas nada que não pudesse suportar, sendo assim, porque não esperar?

Não dava mais tempo de questionamentos, tive 9 meses, aliás quase 6, pra isso e mesmo tendo os feito lá estava eu tomando banho em um banheiro estranho com uma enfermeira nem um pouco acolhedora me dando as “instruções”, coloca isso, vem pra cá...

E lá estava eu na sala de operação sem saber o que fazer e sem ninguém pra me dizer, só tinha a maca e alguns objetos como o marcador de batimentos em uma sala enorme o que a tornava ainda mais fria; melhorou com a chegada do anestesista (Oscar, lembrei por que associei ao jogador de basquete). Deus sempre coloca anjos nos momentos que mais precisamos. Este foi o meu, mesmo tendo me pedido pra sentar e colocar a cabeça encostada no peito e com uma agulha sendo enfiada nas minhas costas ele me passou muita calma e segurança, foi me apresentando à equipe, conversando, mas na hora da segunda picada eu já estava começando a ficar desesperada. Surtei bonito quando minhas pernas começaram a adormecer, senti como se não fosse conseguir respirar, a pior sensação de toda minha vida sem dúvida, apertei tanto a mão dele que: coitado, deve estar com dor até hoje, mas ele conseguiu me segurar e ,e controlar até o Beto chegar (uma eternidade até ele entrar naquela porta... Mas entrou... Lindo todo de azul com os olhos brilhando).

Tudo acontecia lá atrás daquele pano que colocaram assim que deitei depois da picada e eu só pensava em não pensar, foquei nisso e só tentava não lembrar que estava anestesiada, se pensasse em alguma coisa ia gritar, chorar e implorar para alguém fazer alguma coisa... Aquela sensação tinha que sumir de mim. Mas no meio desse tumulto, hora que achei que estava quase me controlando escuto o mesmo anestesista dizer pro seu pai se levantar e olhar você sair. Pensei: como?Só se passaram 15 minutos que entrei aqui e Dr. Manfrin (pediatra) disse que com o seu choro íamos pra casa naquela hora e me trouxe você, todo branco e com a lingüinha pra fora, parecendo um lagarto, RS. Aproximou-se de mim e parou de chorar no mesmo instante parecendo mágica, o momento foi mágico!!

Depois... Depois???? Só acordei numa sala sombria, dava medo credu!! Duas outras mulheres em macas do meu lado começaram a falar comigo. Nem lembro o que falei, mas queria saber onde estava você, que horas ia vê-lo... E nenhuma reposta convincente foi dada.

Cheguei ao quarto com dreno e sem sentir a perna, logo depois chegou uma mulher pra ficar comigo Nelcí era o nome dela, com muita humildade me contou um pouco da sua história, pedi pra ligarem na recepção e falei com a minha mãe que me disse que não poderiam subir, só depois das 2 da tarde. Não podia ser verdade, era um dos momentos mais importantes da minha vida e ninguém podia me ver??? Era só 10h00min h da manhã e você só chegaria as 03h00min ou 04h00min da tarde.

Tiveram que trazer você as 11h00min (graças a Deus) não parava de chorar no berçário e estava atrapalhando as outras crianças; A enfermeira colocou você no meu peito e não pensei que seria tão bom. Quase não mamou, mas estava com saudade da mamãe e dormiu ali do meu lado.

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